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Por um outro lado

Escritora frustrada. Mãe babada.Trapalhona por excelência. Gaja a quem tudo acontece. Adora escrever e fotografar sobre isso, apesar do jeito duvidoso. Experimentou Um lado. Agora, experimenta Por Um Outro. Será o avesso o lado certo?

Por um outro lado

#Aquele momento em que... percebes que a cidade não foi feita para ti

grávidas.jpg

 

Alguma vez andaram de muletas? De cadeira de rodas? Gravidíssima a não caber nas portas? Ou, menos grávida, mas sem poder fazer qualquer esforço? A empurrar um carrinho (gigante) de bébe? A tirar um ovo (que pesa 12 kg) do carro num lugar de estacionamento normal? Côxa? Com mobilidade física reduzida? (fonha-se, acontece-me tudo... e, algumas delas, em simultâneo!)

 

Agora imagina-te numa destas condições, ou em mais que uma, na loucura:

 

A subir para um autocarro... de cadeira de rodas.

A descer umas escadas... côxa.

A espremer uma barriga, que não encolhe, para sair do carro.

A segurar uma porta de vidro... de muletas.

Sem te conseguires sentar... esta foi das últimas... o pós-parto é do melhor!!

 

Houve alturas da minha vida em que subir, só empurrada. Descer, só apoiada. Andar, só ao pé-coxinho. Correr... nem pela própria vida! 

 

E, ainda levas com a porta na tromba porque o ignorante, à tua frente, nem te viu.

 

Ou, dás a volta ao quarteirão para constatar que tens de levar o ovo com a criança primeiro e depois descer as escadas e vir buscar o carrinho... ou atirares-te com o rebento para o meio da estrada, porque o passeio tem um palmo de largura (mas calcetado a rigor)... ou estacionares no meio da estrada porque não consegues enfiar o ovo, com o bebé lá dentro, no banco traseiro... ou, levar o tabuleiro com o almoço, porque tens as duas mãos ocupadas a manter-te em cima do pé que ainda funciona...

 

Destas todas, só não desbundei a cadeira de rodas... quer dizer, ganhei uma viagem de borla, quando desmaiei no wc do puerpério. Mas, no hospital acho que não conta... era hóspede, e o quarto era perto... Mas, a enfermeira queria que eu tomasse banho sozinha, meia dúzia de horas depois... certo! Nem conseguia ver os pés... quanto mais lavá-los.

 

Enfim, isto tudo para dizer que, só quando nos deparamos com as situações, é que percebemos as dificuldades dos outros. Sabem quantas vezes passamos por lugares de deficientes vagos, nos quais não podemos estacionar, apenas para ir ocupar um lugar de tamanho normal onde precisamos parar na via para tirar e pôr a criancinha no carro? Estão a ver o perigo? Para nós, para a criança, e para os outros.

 

E, nem me façam começar com o atendimento prioritário. Todos têm pressa. Todos são (não é, estão, é são) doentes. O que quer que seja que tenhas, não interessa nada... Especialmente, se aparentares menos idade do que eles.

 

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